Mitos e verdades da TRI

Saiba por que é importante conhecer a metodologia de correção da prova e entenda como será calculada a sua nota.

Você sabia que não é possível tirar 0 no ENEM mesmo que você entregue a prova em branco? Por outro lado, mesmo que você acerte todas as questões, também não receberá a nota 1000. Isso acontece por causa da metodologia adotada Teoria de Resposta ao Item, ou TRI, adotada pelo INEP, órgão responsável pelo exame.

Diferentemente dos métodos tradicionais em que o desempenho é avaliado somente pela quantidade de acertos ou erros, o TRI busca compreender qual o nível de proficiência do estudante analisando o grau de dificuldade das questões corretas ou incorretas.

O método pode ser definido como: “uma teoria estatística que é aplicada como medida de avaliação educacional”. Basicamente, desde sua formulação, cada uma das 180 perguntas do exame tem um nível de dificuldade, baseado na maneira como aborda a matéria específica. Se determinada edição do ENEM tiver maior número de questões difíceis, a nota mínima determinada aos participantes – inclusive aos que não responderem nenhuma questão – será mais alta e a nota máxima também aumentará. O oposto acontece quando o ENEM tem maior quantidade de questões fáceis. No entanto, não há como saber o nível de complexidade estabelecido para as questões, pois essa informação não é revelada aos estudantes e não há qualquer tipo de marcação que as identifique nas folhas da prova, para assegurar os critérios de justiça do exame.

Mas, além das notas mínimas e máximas e da dificuldade das questões, a metodologia TRI impõe outras consequências para o cálculo das notas. Através de uma avaliação chamada Curva Característica do Item, que é específica para cada questão, é possível determinar a probabilidade que um participante com determinada nota final tem de acertá-la. Assim, estatisticamente, é possível prever quais perguntas serão respondidas corretamente pela maioria dos candidatos ou não.

A partir disso, o INEP considera que os candidatos com maior nota, teoricamente, devem ter o domínio não apenas das questões com alto grau de exigência, mas também das mais simples. Se um candidato acerta questões mais difíceis e erra as mais fáceis, sua média será menor que a de um candidato que tenha feito o oposto. De uma forma geral, o perfil esperado de um aluno que tenha o resultado próximo à curva normal é acertar muito mais as fácies e ir, gradativamente, acertando as difíceis. Então, quando uma prova é avaliada e um aluno acertou 2 ou 3 questões de alta complexidade e errou as de baixa complexidade, ele foge de um perfil esperado. Ao contrário, se o aluno acessa as fáceis e as médias em um nível compatível, o resultado dele é considerado ok.

Ainda segundo a TRI, dois candidatos que tenham acertado a mesma questão não terão a mesma nota, como seria o caso de alguns vestibulares, nos quais as questões tem o mesmo peso, independentemente do nível.

Exemplificando como se dá essa relação, podemos supor que dois estudantes acertem o mesmo número de questões na prova de Linguagens, que tem 45 questões. Eles saem da prova, conferem a quantidade de acertos e ambos acertaram 30 questões: eles não terão necessariamente a mesma nota, a menos que tenham acertado as mesmas questões. Por quê? Porque um deles pode ter um perfil que não é o esperado de acordo com a TRI.