Florence Nightingale

Florence Nightingale foi uma pioneira na área da enfermagem. Ela aprimorou o atendimento a soldados doentes e feridos e tornou a enfermagem uma carreira respeitável para as mulheres.

Poucas pessoas tiveram um impacto tão forte na enfermagem quanto Florence Nightingale. Nascida em 12 de maio de 1820, em Florença, na Itália, Nightingale foi uma verdadeira inovadora que alcançou o status de lenda ainda em vida graças às contribuições que fez à profissão de enfermeira e aos cuidados com a saúde no geral.

Florence Nightingale é considerada a fundadora da enfermagem moderna. Sua família considerava a enfermagem algo inapropriado para uma dama de boa estirpe, por isso, começou seus estudos após os 31 anos, em um curso de treinamento na Alemanha. Na Inglaterra, Florence abriu o primeiro curso de treinamento, em 1860.

Florence não conhecia o conceito de contato por microorganismos, uma vez que este ainda não tinha sido descoberto, porém já acreditava em um meticuloso cuidado quanto à limpeza do ambiente e pessoal, ar fresco e boa iluminação,calor adequado, boa nutrição e repouso, com manutenção do vigor do paciente para a cura.

Como havia pouco treinamento formal para os enfermeiros na época, Florence foi praticamente autodidata. Ao aprender com a experiência, ela pôde não só se estabelecer como uma respeitável enfermeira, mas também se tornou uma das primeiras especialistas no mundo em higiene e saneamento públicos.

Quando ela e outras 40 enfermeiras se ofereceram voluntariamente para cuidar dos soldados feridos bairro Scutari, subúrbio de Istambul, elas enfrentaram as condições calamitosas do hospital: sujeira, superlotação, ratos e falta de alimentos, roupas, médicos, equipamentos e remédios. Também teve de lutar contra a animosidade dos médicos, que a viam como intrusa. No entanto, sua extraordinária habilidade de organização, seu espírito empreendedor e sua firme determinação permitiram que tornasse o hospital mais eficiente e conseguisse que suas enfermeiras fossem aceitas.

Durante a noite, quando não estava escrevendo as cartas que os soldados enviavam às suas famílias, ela passava pelas alas, levando uma lamparina, confortando seus pacientes, e, por isso, recebeu o apelido de “a dama da lamparina”. De volta à Inglaterra, Florence Nightingale trabalhou incansavelmente para promover as causas que lhes eram queridas: reformar o serviço médico do exército, mudar a estrutura hospitalar, desenvolver a medicina preventiva e melhorar o status e o treinamento dos enfermeiros.

Usando as lições que aprendeu na Crimeia, ela escreveu um livro, Notas sobre Enfermagem, no qual explica em detalhe como criar ambientes propícios para o bem-estar e a recuperação dos pacientes e oferece conselhos práticos que iam contra as crenças predominantes. A combinação de sólida prática e bom senso é uma das características de sua abordagem que, até hoje, depois de muitos avanços na ciência médica e nos serviços de saúde, conserva todas as suas vantagens inerentes.

O exemplo deixado por Florence Nightingale inspirou e continua inspirando inúmeros enfermeiros no mundo todo. Em sua homenagem, foi criada uma medalha em 1912 para reconhecer os enfermeiros e auxiliares de enfermagem que cuidam dos doentes e feridos em guerras ou desastres naturais de maneira extraordinária.

Em suas escolas, Florence baseava sua filosofia em quatro ideias-chave:

1. O dinheiro público deveria manter o treinamento de enfermeiras e este, deveria ser considerado tão importante quanto qualquer outra forma de ensino.
2. Deveria existir uma estreita associação entre hospitais e escolas de treinamento, sem estas dependerem financeira e administrativamente.
3. O ensino de enfermagem deveria ser feito por enfermeiras profissionais, e não por qualquer pessoa não envolvida com a enfermagem.
4. Deveria ser oferecida às estudantes, durante todo o período de treinamento, residência com ambiente confortável e agradável, próximo ao local.

As primeiras escolas de treinamento Nightingale ministravam cursos de 1 ano, que, com o tempo, passaram a ser de 2 anos.

Florence deu origem às prescrições médicas por escrito e, também, exigia que suas enfermeiras acompanhassem os médicos em suas visitas aos pacientes “para prevenirem erros, diretivas mal compreendidas e instruções esquecidas ou ignoradas” (Palmer,1983 apud Atkinson). A seu ver, para a melhoria do estado de saúde do país, o ensino da Enfermagem era uma grande responsabilidade das enfermeiras. Preconizava a idéia de que a saúde era não apenas estar bem, mas ser capaz de usar toda a nossa capacidade.” Florence julgava que o propósito da enfermagem era”colocar-nos na melhor condição possível para que a natureza possa restaurar ou preservar a saúde, prevenir ou curar as doenças” (Palmer,1983 apud Atkinson).

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